“Localizada no Noroeste de Portugal, a Bacia do Ave constitui uma área fortemente marcada pela indústria têxtil, tendo a primeira fábrica têxtil moderna sido fundada em 1845, em Negrelos.

Uma das primeiras razões para o florescimento da indústria na Bacia do Ave está relacionada com o aproveitamento da energia hidráulica para o accionamento das fábricas.

Desde estão, a industria têxtil constitui a sua principal actividade económica (principalmente nos concelhos de Fafe, Guimarães, Vizela, Vila Nova de Famalicão, Trofa e Santo Tirso), e actualmente á a mais importante região têxtil de Portugal”

In Museu da Industria Têxtil da Bacia do Ave

 


Ancorada a um antiquíssimo e laborioso movimento de transformação do linho, perde-se nos fios da história a memória da indústria têxtil do Vale do Ave.

Inicialmente ligadas à auto-suficiência da vida rural, as actividades de fiação e tecelagem (em que se fiava com a roca ligada à cintura,), emergem na região, essencialmente como trabalho feminino, aproveitando os tempos vagos para transformar o linho ou a lã. E, casa agrícola que se prezasse tinha o seu tear, para do fio passar ao tecido. Dizia-se mesmo que “casa que não tenha um tear ou é de fidalgo ou é casa onde a miséria entrou desapiedadamente”.

foto: 1º Tear Manual
Fonte: Museu da Indústria Têxtil da Bacia do Ave.
 

Em meados do séc. XIX, dá-se um salto, que intensifica e induz uma produção especializada, criando assim uma rede de produção assente em pequenas oficinas e no trabalho domiciliário. E, em 1884, inicia-se o processo de aquisição e transferência tecnológica


foto: Tear Mecânico
Fonte: Museu da Indústria Têxtil da Bacia do Ave
 

que provocou uma maior facilidade de transformação e de variedade no produto final.

foto: Tear Automático, década 50, séc. XX
Fonte: Museu da Indústria Têxtil da Bacia do Ave
 


A mecanização, na sua lenta implantação, proporcionou o movimento que, gradualmente conduziu o Vale do Ave para a quase monoespecialização algodoeira, estabelecendo uma implantação industrial difusa que, numa primeira fase, tendeu a seguir os cursos de água para aproveitamentos hidráulicos.

Se, ao nível motor, numa primeira fase, se destaca a energia hidráulica, com tendência a seguir os cursos de água para aproveitamentos hidráulicos, mais tarde (primeira década do séc. XX), ocorre a grande inovação – a introdução da hidroelectricidade, quer por adaptações aos sistemas hidráulicos já existentes, quer pela construção de centrais hidroeléctricas de raiz.

Este movimento, transformou o Ave numa cascata de pequenas e pioneiras barragens e, a indústria têxtil tornou-se, com o decorrer do tempo, numa das mais importantes indústrias nacionais, quer pelos níveis de produção, quer pela elevada concentração de trabalho que propicia, quer pela dinamização económica que arrasta (dinamização de transportes, consumo de energia…).

Ocorreu assim, ao longo da Bacia do Ave, uma emergência de uma concentração geográfica e sectorial de empresas, a partir da qual são geradas externalidades produtivas e tecnológicas indutoras de um maior nível de eficiência e competitividade.

Se, partirmos da ideia simples de que as actividades empresariais raramente se encontram isoladas, e que se apoiam mutuamente, as empresas têxteis integradas na Bacia do Ave, permitiram com o decorrer do tempo, conferir vantagens competitivas para a região particular, permitindo explorar diversas economias de aglomeração. Permitiu igualmente estimular um processo de interacção local que viabilizou o aumento da eficiência produtiva, criando um ambiente propício à elevação da competitividade dos agentes integrados.

Foi, neste contexto, de busca de maiores níveis de eficiência na utilização de factores produtivos e estimulada pela disponibilidade de factores como recursos e uma mão-de-obra especializada, que a CRN-F3 se implantou nesta região.